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# Trajetória

Lea Arafah (também conhecida como Lea Blua, Blua Discórdia ou anteriormente Blu Simon Wasem) é uma artista transdisciplinar, travesti e neurodiversa brasileira, atuando nas áreas da música experimental, performance, artes visuais, moda e tecnologias criativas. Sua produção articula transdisciplinarmente, elementos de improvisação sonora, poéticas não-lineares, códigos computacionais e práticas corporais.

### Biografia

Nascida em 16 de janeiro de 1987, em Criciúma, Santa Catarina, Lea vive e atua atualmente em São Paulo, onde segue entrelaçando arte, política e existência em múltiplas camadas. Lea iniciou sua trajetória artística em 2007 na cena de música improvisada e experimental do Brasil. Ao longo de sua carreira, apresentou-se em mais de 20 países, tanto em performances solo quanto em colaborações com artistas de diversas linguagens. É contrabaixista, cantriz, compositora, produtora musical e musicoterapeuta, além de criadora de performances multimídia que integram som, texto, imagem e ação.

Sua atuação transita entre palcos, galerias, ambientes acadêmicos e espaços independentes. Participou de residências artísticas no Brasil e no exterior, como em Lisboa (LisBun, 2010) e na Rep. Tcheca em Brno(Grauklkt, 2011), em Hue,Vietnam(New Space Art Foundation, 2012), Busan(OpenSpacebae 2013), Phnom Penh, Camboja(Sasa Art Projects, 2013) , com destaque para sua abordagem afetiva e crítica ao uso de tecnologias na arte.

É cofundadora e membro do conselho curatorial da Nomade Label DAO, organização autônoma voltada à experimentação artística em dança, música, artes visuais e ações no metaverso. Desde 2021, coordena o programa educativo coletivo ANTIMETODO, que propõe estratégias de criação transdisciplinar e desobediência metodológica a partir de tecnologias afetivas, escuta expandida e práticas colaborativas.&#x20;

Atualmente, Lea Arafah reside em São Paulo, onde mantém uma atuação ativa nas cenas de arte experimental, música e performance. Apresenta o solo Apocalipse 3.0, obra híbrida de som, corpo e imagem, em espaços independentes como Tipitina, Porta, Espaço Coletivo, Laje SP e intervenções urbanas.

### Caminhos Artisticos

Lea iniciou sua atuação artística em 2007, no sul do Brasil, integrando a cena de improvisação livre e música experimental. A partir de 2009, embarca em um extenso período de nomadismo artístico e criação transnacional. Em turnê com o duo Koll Witz, percorre sete países europeus, fixando-se sozinha posteriormente em Lisboa(2009-2010) e Brno(2010-2011), na República Tcheca, onde inicia uma série de experimentações intercontinentais.

De 2010 a 2014, vive de forma intermitente em mais de vinte países, residindo longamente em sete deles. Em Lisboa, grava o álbum experimental[ "Lugar de Inoportuno Sussurro"](https://blusimonwasem.bandcamp.com/album/lugar-de-inoportuno-sussurro-lisboa-2010), composto por colagens sonoras da cidade e finalizado em Brno e Bratislava com o coletivo[ Standuino](https://monoskop.org/Standuino). Esse período marca sua imersão em circuitos de arte DIY, eletrônica experimental e práticas de gravação de campo.

Entre 2012 e 2014, concentra sua produção na Ásia, com residências e performances em Malásia, Singapura, Tailândia, Vietnã, Camboja, Nepal (Katmandu) e Coreia do Sul. Em Kuala Lumpur, grava o álbum e filme performativo "[Semalu](https://www.youtube.com/watch?v=tAqZJE65ofo)", em parceria com o cineasta belga[ Jimmy Hendrickx](https://www.imdb.com/pt/name/nm5430426/?ref_=tt_ov_1_1). Em Saigon, realiza residência de oito meses, resultando no disco "[đàn ghi ta (Saigon 2012)](https://kimusorecords.bandcamp.com/album/blu-guitarku)", para guitarra solo.

No mesmo ciclo, apresenta obras multimídia como “무.NADA.Pursuit of Nothingness” , e performances rituais em Busan, como [“Hell’s Cuteness Delivery Service”](https://www.youtube.com/watch?v=6-f_ghzf0s0) (Singapura) , onde destrói um computador ao vivo como parte de uma crítica tecnopoética. Essas experiências constituem uma fase radical de sua obra, marcada por deslocamentos, performatividade, rituais de ruína e experimentações de linguagem.

Entre 2021 e 2023, assume papel de liderança artística e curatorial na Nomade Label DAO, uma organização autônoma descentralizada (DAO) voltada para a experimentação artística transdisciplinar. Como cofundadora e membro do conselho criativo da Nomade Label, Arafah impulsionou projetos interdisciplinares que combinavam arte sonora, dança, imagem, escrita e tecnologias blockchain. Atuou também como mediadora cultural da comunidade Creatives da Near Protocol.

Em 2023, coordena e idealiza o projeto[ NFTrans](https://medium.com/@lea_arafah/report-nftrans-participa-desde-outubro-da-resid%C3%AAncia-no-distrito-museu-xyz-9dc6e4280b9b) – Nossa Força Transforma, realizando diversas ações com o evento presencial[ Chá com Bolo](https://medium.com/@lea_arafah/ch%C3%A1-com-bolo-report-42c99290ece8), mostrando artistas como[ Natt Maat](https://pt.wikipedia.org/wiki/Natt_Maat), Sofia Lima, Tom Nobrega, Rio em Choro, Solaria Gyx, e uma residência no metaverso na[ Museu.xyz](https://museu.xyz/) e recebeu destaque na revista da[ ICAMT Taipe](https://icamt.mini.icom.museum/icamt-50th-annual-conference-taiwan-2024/#). O projeto buscou tensionar o uso de NFTs para além do mercado especulativo, propondo uma reflexão crítica, poética e política sobre identidade de gênero, memória trans e arte digital. Através de ações formativas e de escuta com artistas e pessoas trans, o NFTrans propôs a criação de um arquivo em movimento e de uma estética glitch-afetiva. O projeto repercutiu nacional e internacionalmente, sendo citado em artigos acadêmicos e mídias especializadas.

Desde 2023, Lea Arafah e Ritamaria formam o duo Musas do Fim do Mundo, uma colaboração poético-sonora que mescla música experimental, performance vocal, eletrônicos e paisagens ambientais em fluxos de improviso e rito.

A parceria surge a partir da afinidade artística entre duas que compartilham um desejo de escuta profunda, escrita instável e transfiguração das formas. Juntas, criam peças que habitam o limiar entre canção, ruído e oração, explorando vozes texturizadas, contrabaixo acústico, ruídos digitais, cânticos fragmentados e silêncios significantes.

Musas do Fim do Mundo propõe uma fabulação do colapso: não como ruína, mas como fértil terreno de reinvenção. Em suas apresentações ao vivo — como as realizadas em espaços independentes em São Paulo — o duo convoca atmosferas sonoras densas, visionárias e afetivas, tensionando as noções de tempo, gênero e identidade.

O projeto tem sido descrito como um “ritual de escuta do impossível” e “invocação sonora para futuros indóceis”, cruzando espiritualidade trans, crítica social e fabulação tecnológica.

Desde o segundo semestre de 2024, Arafah integra o projeto Onira, idealizado pela poeta[ Tatiana Nascimento](https://pt.wikipedia.org/wiki/Tatiana_Nascimento) e o produtor[ Jovem Palerosi](https://jovempalerosi.bandcamp.com/). A performance combina poesia falada, baixo acústico, eletrônica, vídeo e iluminação ao vivo — com Lea como contrabaixista, dando corpo à atmosfera hipnótica dos sonhos, apresentada em espaços como o Centro da Terra, Espaços Alternativos e salas dos Sesc.

### Obra e pesquisa

Arafah articula ferramentas artísticas e tecnológicas a partir de um ponto de vista decolonial e sensível. Desenvolve performances e obras audiovisuais utilizando softwares livres, ambientes generativos (como p5.js e TidalCycles), maquiagem como pintura de ação em escala micro, e poéticas codificadas. Seu trabalho frequentemente assume formas híbridas, como vídeos, partituras gráficas, peças sonoras, coleções de moda e metadocumentários.

Um de seus conceitos centrais é a Filofonia, entendido como escuta filosófica e fabulação sonora do mundo, cruzando vozes, saberes ancestrais, ruídos contemporâneos e afetos dissidentes. Em 2022, passou a desenvolver a plataforma artística[ NFTrans](https://teia.art/nftrans), uma marca-obra de ativos digitais baseada em biografias reais cunhadas em "códigos ignotos", inscrevendo a indumentária metaversica como superfície narrativa e política.

### Estilo e influências

Sua obra é influenciada por artistas da referencia canônica como John Cage, Hildegard von Bingen, Jocy de Oliveira, Lygia Clark, Wendy Carlos e Meredith Monk, assim como por ares de inomináveis inúmeras influencias "não-ocidentais", com o teatro[ Noh](https://pt.wikipedia.org/wiki/Noh), e a liturgia do[ Candomblé](https://pt.wikipedia.org/wiki/Candombl%C3%A9) como elementos de inspiração na criação musical eletrônica. Lea tambem mistura referências que vão da música contemporânea à cultura pop, passando por rituais, mídias generativas e experimentação de gênero. Seu trabalho propõe uma crítica sensível aos sistemas normativos de produção de conhecimento, som e imagem.

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